sexta-feira, 7 de março de 2014

Espelho , Espelho Meu - O que é Dismorfofobia ? Dra. Maria Angélica Falci





Espelho, espelho meu

por Maria Angélica Falci

Vivemos numa cultura lipofóbica (medo de engordar). Muitas pessoas estão desenvolvendo o que é chamado de dismorfofobia. Nesse distúrbio, o que o paciente pensa e sente a respeito de sua aparência não é compartilhado pela opinião geral. Ele não enxerga que é normal e tende a insistir na ideia de que é fisicamente disforme, inadequado. Assim ele resiste fortemente a qualquer intervenção ou elogio.

Esse distúrbio começa geralmente na adolescência à medida que ocorrem as mudanças corporais e emocionais. O deslocamento para a vida adulta precisa ser saudável para que a pessoa não tenha esses sintomas que crescem assustadoramente. 

É muito difícil tratar a dismorfofobia. O paciente resiste a aceitar que tem o problema. Em geral, ele usa a justificativa de que é vaidoso e, numa fachada, passa a se considerar muito zeloso com a imagem. No entanto, o distúrbio é fonte de intenso sofrimento, angústia e solidão.

O tratamento é feito com psicoterapia longa e muito trabalhosa. Muitas vezes é necessário o uso de medicamentos para tentar obter o ajuste dos sentimentos depressivos que acompanham o quadro.

O maior prejuízo é a autodepreciação. E o quadro pode evoluir para a autodestruição. De forma consciente ou não, a pessoa tende a criar riscos para si: ingere medicamentos por conta própria, passa por consecutivas intervenções cirúrgicas, inicia uma malhação contínua e excessiva (vigorexia), desenvolve aversão total ao alimento (anorexia) ou elimina o alimento recém-ingerido na ideia de se sentir melhor fisicamente e em paz com o espelho (bulimia). Esses problemas geram até mesmo risco de morte.

Essa grave distorção que o paciente tem da própria imagem pode levar à falência dos contatos sociais, com sérios prejuízos familiares, profissionais e afetivos. O campo do prazer pode passar a inexistir, tornar-se uma obsessão até que a forma ou a aparência do corpo se torne completamente "bizarra".

A cultura lipofóbica contribui fortemente para a distorção da imagem corporal. Gera gordos que se sentem magros e magros que se veem como gordos. A relação com o corpo pode ser considerada um dos maiores problemas atuais. "A baixa autoestima também é um grande fator de risco para o desenvolvimento de uma vulnerabilidade para com os aspectos socioculturais" (Myers, 1998).

Observe o seu comportamento. Procure conversar a respeito e a compreender melhor os sintomas da dismorfofobia. Não deixe que esse desconforto se agrave em sua vida. Existe tratamento, e o sofrimento pode ser amparado, quando aceito em sua raiz de desdobramento. O afeto envolvido nessas questões da autoimagem é relevante para que a pessoa consiga evoluir.

* Dra.  Maria  Angélica  Falci  é  Psicóloga  Clínica  em  Belo  Horizonte - MG. 


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