quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Consumo ou Consumismo - O Limiar entre a Anormalidade e o Adoecimento - Por Dra. Maria Angélica Falci




   Consumo  e   consumismo  são  assuntos  constantes  nos  dias  atuais  e  no  mundo  moderno. Li    a  poucos  dias   um texto  muito  interessante -  escrito   pela  Dra.  Maria  Angélica  Falci  -  sobre o  assunto , e  hoje  tenho  o  prazer  de   compartilha-lho  aqui  no  Daybyday .   

   A  Dra.  Maria  Angélica  é  especialista  em  Psicopedagogia e  Saúde  Mental  com  vivência  em  atendimentos  clínicos  em  Belo-Horizonte , participa  de  artigos  nas  revistas Vox  e  Mais  Noivas  e  também  edita  o  Blog  cliqueemocional.com . 



Quando pensamos em consumir, geralmente sentimos um prazer, algo que vem encher nosso momento de alegria e satisfação. O consumo é algo que faz parte da natureza humana, implica na aquisição de bens e serviços.
Não vejo nenhum problema em consumir, adquirir e aproveitar bens e produtos para satisfazer as reais necessidades, é algo que mexe com nossa motivação, fonte geradora do prazer, ou seja, o consumo se baseia em necessidades primárias para o homem e para a sociedade na qual se encontra. É importante buscar o crescimento pessoal e profissional, a ambição num nível satisfatório é algo que funciona como um combustível para o crescimento em diversas áreas, o problema inicia quando a pessoa passa do limiar do Consumo para o Consumismo exagerado.
Consumismo uma palavra que faz parte da rotina atual, palavra utilizada em grande escala, motivo de zombaria entre amigos e chavões que incomodam muitas pessoas. Em geral as mulheres tendem mais fortemente ao impulso da aquisição, homens também não ficam muito atrás, mas apresentam mais controle por um senso maior de responsabilidade com a provisão familiar.
O consumismo é o ato ou hábito, de adquirir produtos e na maioria das vezes supérfluos, sem que haja uma real necessidade. Quando ocorre a ação de maneira compulsiva passa a se tornar uma doença geradora de muitos transtornos para a pessoa e seus relacionamentos, inicia-se em geral um comprometimento muito grave, pois a pessoa começa a dissimular, enganar e adquirir uma série de coisas inúteis sem nenhuma necessidade, simplesmente porque não consegue ficar sem comprar todas as vezes que sai de casa e atualmente tem sido mais sério com os sites de compras pela internet. Em geral, sentem-se culpadas, mas não conseguem evitar essas atitudes consumistas, é algo que se não realizarem sentem-se muito mal consigo mesmo, não é apenas uma vontade pontual é uma ansiedade generalizada e funciona como que um “vício” como de qualquer outro aditivo, tanto que a linha do tratamento terapêutico não difere muito se é compulsão por comida, bebidas, ginástica, sexo e outros. Sabemos que a atitude consumista não conduz a nenhum aspecto positivo e complica muito a vida da pessoa, pois acarreta a desconfiança nos relacionamentos, endividamento e stress pelo remorso constante. Compra-se por comprar, não satisfaz o seu íntimo, não supri necessidade alguma, mesmo que por breve tempo isto pareça acontecer.
Precisamos urgentemente realizar uma auto-análise, redescobrirmos a intimidade do nosso eu e de seus valores sólidos. Só assim poderemos encontrar e organizar dentro de nós mesmos os conceitos distorcidos e “mofados”. Muitas vezes a desorientação que envolvem as pessoas que apresentam estes conflitos são os problemas de autoestima e sentimentos de inadequação. Os comportamentos compulsivos são hábitos aprendidos numa tenra idade e seguidos por alguma gratificação emocional, frequentemente um alívio da ansiedade e/ou angústia. São hábitos inadaptados que já foram executados várias vezes e acontecem quase automaticamente numa busca incessante de alívio e prazer. Em resumo, a pessoa que age de forma compulsiva ao adquirir coisas materiais acredita por "certo tempo" que será a forma de externar seus conflitos e insegurança, lógico que de forma inconsciente a pessoa busca pelo prazer, mas que em breve tempo cairá no vazio, pois fazer terapia com o cartão tem seu tempo de vida útil. Quando identificado o problema é necessário uma intervenção profissional.
Em nossa sociedade atual, o consumismo é incentivado o tempo todo, seja pelas empresas, na mídia e afins. Muitos recebem como sinal de grandiosidade, status, poder, riqueza, de se encontrar aberto a todas as novidades do mercado, de tê-las e falar sobre elas. Percebe-se um grande valor material em detrimento dos principais valores para que uma pessoa possa realmente se sentir feliz e saudável. Assistimos uma geração que caminha para uma frieza em seus sentimentos, relacionando muitas vezes consigo mesmo e se ensoberbecendo de valores que conduzem a uma intensa frustração, pois no íntimo de todos nós existe uma demanda muito forte de amor, segurança e atenção.
 Devemos valorizar o que realmente importa, fortalecer as idéias que ajudam a construir. Abandonar aquelas que visam à desintegração emocional. Pois acredito que a profunda satisfação e o bem viver vêm do SER e não do TER.  A hora para acordarmos é agora... Reflita onde você está depositando sua felicidade? Qual é o valor que você dá as pessoas? Quais são os valores que você pretende passar para os seus filhos caso os tenha?
O ideal para todos nós é sabermos dosar e vivermos com equilíbrio e controle dos nossos impulsos, melhor ainda é não sermos prisioneiros de nenhum tipo de compulsão.



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